Cultivo do Cogumelo Medicinal
COGUMELO MEDICINAL
Cultivo do Cogumelo Medicinal
O Cogumelo Agaricus blazei também chamado por Cogumelo da Vida, Cogumelo do Sol, Cogumelo do Fogo, Cogumelo Princesa ou Cogumelo de Deus, é um fungo do gênero Agaricus (mesmo gênero do famoso Champignon) e da família Agaricaceae, pertencente a uma divisão do Reino Fungi, denominada por Basidiomycota. São organismos saprófitas, pois necessitam de substâncias orgânicas em decomposição para seu desenvolvimento.
Enquanto o cogumelo Shiitake necessita da decomposição da madeira de eucaliptus para se desenvolver frutificar, o gênero Agaricus necessita de compostagem pré-elaborada antecipadamente com diversos componentes. A composição do composto para o Agaricus blazei é muito variável, mas em termos gerais são misturados e fermentados o bagaço de cana, capim, esterco de cavalos, proteínas vegetais e adubos químicos como o sulfato de amônia, uréia, cloreto de potássio, fosfatos e calcário. Este composto é adquirido de bons produtores e vem em sacos plásticos de 8 a 13 kgs do produto, onde já está semeado e colonizado pelo cogumelo.
Este fungo é consumido principalmente pelas suas funções terapêuticas no tratamento de diversas doenças ligadas ao sistema imunológico humano, como a AIDS, câncer, leucemia e até mesmo gripes e resfriados. Este cogumelo tem glico-proteínas que ativam o sistema imunológico aumentando a capacidade e resistência das células de defesa do organismo, sendo sua eficácia comprovada em laboratórios e hospitais do Japão, E.U.A, Tailândia, França e Brasil. Importante lembrar que este cogumelo é nativo do Brasil, da região de Piedade em São Paulo, e sua descoberta é recente, com início dos cultivos em 1978. Sendo uma cultura nova, seu futuro de mostra promissor.
É recomendado consumir entre 10 a 30 gramas do Agaricus secos diariamente, na forma de chá medicinal. Deve ser colocado em 1000 ml (1 litro) de água e fervido por 15 a 25 minutos, deixando evaporar e reduzir o volume para aproximadamente 700 ml, em seguida filtrar e consumir durante o dia.
Outra forma mais prática e funcional é consumir na forma de cápsulas, totalizando de 1.200mg a 1.500mg por dia, (corresponde a 3 cápsulas de 500mg da Terra Mãe).
Muitas pesquisas estão sendo realizadas para determinar as melhores maneiras de administrar o cogumelo em pacientes das mais diferentes enfermidades. Os resultados são fantásticos, vale a pena experimentar, principalmente na culinária caseira.
O produtor está recebendo entre 100,00 e 150,00 reais por kg de cogumelos desidratados de alta qualidade (bem claros depois de secos, quase brancos), e a revenda é pessoal e direta a pessoas e laboratórios interessados. O mercado internacional absorve grande parte da produção brasileira, mas necessitamos produzir muito mais para podermos fazer acordos firmados com o exterior. Normalmente os japoneses e europeus necessitam firmar acordos de 500 kg de cogumelos desidratados por mês, e ainda não temos esta produção para assegurar qualquer contrato. Portanto vemos que o mercado está aberto e tende ampliar-se muito mais ainda, principalmente um maior número de produtores estejam produzindo de modo sério e estável este verdadeiro “presente da Natureza” para estes termos difíceis e com tantas doenças que nos afligem.
NOSSA PRODUÇÃO DE COGUMELO MEDICINAL DA TERRA MÃE
A base de produção deste cogumelo está na qualidade de nosso composto e das variedades de sementes adaptadas aos mais diferentes tipos de ambientes e regiões do país.
Após todo colonizado pelo micélio do fungo, é colocado em canteiros diretamente feitos no solo das estufas especialmente desenvolvidas para este cogumelo, que requer temperaturas entre 25º C a 30ºC para se desenvolver adequadamente.
Estes sacos de composto colonizado pesam em média 10 Kg, e devem ser armazenados por no máximo 15 dias em ambiente fresco, seco e ao abrigo do sol e de excesso na luminosidade.
O transporte até a propriedade onde será cultivado deverá ser nas horas mais frescas do dia, pois o calor pode matar o mecélio do fungo. Utilizam-se comumente caminhões fechados para os transportes durante os dias de sol.
O cultivo deve ser feito em canteiros diretamente no solo ou em prateleiras de madeira.
O uso de canteiros em prateleiras suspensas, resultam em menor produtividade, mas facilita as colheitas. Sempre deveremos cultivar em estufas simples, sem muita sofisticação, mas que permitam uma ventilação natural nos canteiros para retirar os excessos de calor dos horários mais quentes do dia. As regas são feitas com aspersores simples ou mangueiras.
A colheita deste cogumelo deve ser realizada manualmente e com cuidado pois são muito delicados e podem se quebrar num manuseio inadequado. Retiram-se os cogumelos em "ponto de colheita"(com o chapéu ainda fechado e com a parte superior levemente plana) dando um leve giro em seu caule e coloca-se em bacias ou caixas plásticas.
- Os canteiros em alvenaria no solo, com 50 cm. de largura por 23 cm de altura, sendo duplos os canteiros do centro da estufa. Uma estufa com 25m x 5m cabem cerca de 350 sacos ou 3.500 Kg de composto;
- Na foto do meio vemos vários cogumelos em "ponto de colheita" exatos;
- Devemos retirar os cogumelos e deixar no canteiro os que ainda estão crescendo. Sempre devem ficar cobertos pela palha de gramíneas para estarem abrigados da insolação direta e envoltos no clima úmido adequado ao seu desenvolvimento.
Os cogumelos vão se abrindo com o passar do tempo, pois é seu ciclo natural de reprodução. Quanto mais quente e úmido o ambiente, mais rapido é o processo de crescimento, indo de 6 a 15 horas em média para seu desenvolvimento completo. Na foto ao lado vemos alguns cogumelos que já passaram do ponto ideal de colheita, pois seus chapéus estão com a parte inferior mais aberta que os da foto acima.
Após colheita os cogumelos devem ser lavados em jato d’agua sob pressão, que imediatamente retira toda a terra das raízes e limpa o chapéu ficando totalmente brancos.
Os agaricus já limpos serão colocados em peneiras e expostos ao sol ou simplesmente em local bem ventilado por cerca de 30 minutos, para fazer a pré-secagem e depois serão levados para o módulo de secagem.
Utilizando-se faca bem afiada e de aço Inoxidável (ou estilete novo), fazemos um corte rápido nos cogumelos separando-os em duas partes somente (não fazer mais que um corte, e nos muito grandes e grossos fazemos dois cortes longitudinais, mas são poucos os cogumelos que necessitam disso).
Imediatamente após o corte dos cogumelos, as partes devem ser bem arrumadas uma ao lado da outra na bandeja da secadora; nunca devemos amontoar as fatias de cogumelos pois assim estes perderão sua qualidade na secagem, ficando mais escurecidos que o normal requerido pelo mercado.
No módulo de secagem, deveremos ter uma mesa para corte e classificação dos cogumelos, facas de aço inoxidável e “tábuas”de cortar específicos para esta atividade. Pacotes de polipropileno e sachês de sílica-gel para acondicionar os cogumelos secos, e uma secadora aquecida à lâmpada. Para isso utiliza-se um casco de geladeira, prateleiras internas, cinco lâmpadas de 250 watts e um exaustor de 30 cms.de diâmetros.A secagem é feita em temperatura fixa de 48 a 50ºC do início ao fim, por um tempo variável de 12 a 20 horas, dependendo da quantidade de produto dentro da secadora.
Os cogumelos secos ficam com aproximadamente 5% de umidade (similar a biscoitos ou produtos crocantes) e embalados em pacote duplo de polipropileno com duas sílicas para cada quilograma. Desta forma eles são comercializados a preços variáveis pela qualidade e aparência do produto ou pela demanda /oferta no mercado. O produto acabado vai para o mercado exterior na forma de chás, cápsulas, extratos, tinturas, xaropes e outras misturas.
A produção do cogumelo do sol é muito recente no Brasil e no mundo, pois, além de ser brasileiro, natural de Piedade-SP, só foi descoberto no início dos anos 60 e até hoje muito pouco se sabe sobre esta maravilhosa dádiva da natureza para o homem moderno, mas certamente em breve será um dos principais componentes das misturas de ervas medicinais fundamentais em nossa sociedade.