CULTIVO DO SHIITAKE
saboroso cogumelo shiitake
O CULTIVO DO COGUMELO SHIITAKE
A natureza nos oferece cerca de 200 espécies de cogumelos comestíveis, onde cerca de 20 espécies são exploradas comercialmente em todo o mundo. No Brasil os mais difundidos são o Champignon , Cogumelo do Sol, Shiitake, Pleorotus e o Shimeji.
Quem procura uma atividade que não exige grandes áreas para cultivo (mesmo um fundo de quintal), nem muito trabalho incluindo serviços leves e que ofereça um bom lucro, certamente vai ficar muito bem atraído pelo SHIITAKE. Este cogumelo maravilhosamente saboroso, cultivado na China há mais de 1000 anos, e até hoje sendo muito consumido pelos novos asiáticos, têm exigências mínimas , requerendo pequenos espaços sombreados em árvores, umidade através de regras diárias e se adapta aos climas tropical e subtropical, suportando facilmente aos frios do inverno, inclusive geradas ocasionais. Recomendamos seu cultivo junto de outras atividades econômicas na propriedade, pois requer pouca mão de obra.
O método de cultivo que recomendamos é o IGUETÁ , que consiste em inocular (semear) o Shiitake em torinhas de eucaliptus e empilhar uma acima da outra em forma de xadrez, atingindo de 7 a 10 andares cada pilha. Estas permanecem em ambiente sombreado, úmido e arejado por cerca de 6 meses para que o micélio (fungo) possa se desenvolver por toda a torinha. Após este período é realizado o choque térmico nas torinhas mergulhando-as em água fria por determinado período de tempo, e nos dias seguintes começar as colheitas do Shiitake. Programando bem as semeaduras, poderemos ter colheitas diárias de cogumelos, pois existem variedades para cultivo no inverno ou no verão.
A Produção do Cogumelo Shiitake (Lentinula edodes)
Este milenar e saboroso cogumelo é facil de ser produzido em qualquer região do pais.
Os procedimentos iniciais devem ser:
- encomendar as sementes que demoram em média 30 dias para serem entregues;
- preparar o barracão para seu cultivo;
- encontrar as árvores de eucaliptus que serão cortadas no período da semeadura;
- adquirir ou preparar uma furadeira profissional, broca de 1/2 polegadas, breu e parafina, pincel de crina de cavalos ou bombril, cavaletes, panela para derreter o breu+parafina, fogareiro, semeador próprio ou seringa descartável de 3 ml.
O barracão deve ser feito em local próximo de matas para permitir maior umidade no ar, o que facilita o crescimento do fungo e uma melhor qualidade. Allguns produtores fazem as pilhas diretamente em matas que permitam 70% de sombreamente, ou barracões alternativos feitos de taquara, bambú, restos de madeiras, pré-moldados de concerto ou alvenaria. Todos funcionam muito bem, pois o cogumelo só exige sombra e umidade para se desenvolver.
As torinhas de eucaliptus devem ser cortadas dois a três dias antes da semeadura e armazenadas em local sobreado enquanto são encaminhadas para a sala onde realizamos a inoculação das sementes. As torinhas devem ser sadias, não ter a casca rachada nem agrotóxicos, e a motosserra deve ser lubrificada com óleo novo, nunca óleo queimado. O diâmetro deve ser entre 8 a 20 cm e o comprimento de 1 a 1,5 metro.
Com as sementes preparadas e as torinhas cortadas recentemente, há pelo menos dois dias, procedemos à semeadura ou "inoculação" das sementes ou "micélio" nas madeiras. Colocamos uma torinha no cavalete e fazemos furos com 2 cm de profundidade e espaçados cerca de 12 cm uns dos outros. Com a seringa pegamos as sementes e pressionamos dentro dos furos até preenchê-los completamente. Após, selamos com a parafina e breu derretidos ainda quentes, utilizando-se o pincel e passando duas ou três camadas.
Após a semeadura de uma linha de furos, giramos a madeira e cerca de 5 dedos para o lado, faremos uma nova linha de furos, intercalando os mesmos. Por exemplo, para uma torinha com 10 cm de diâmetro e 1 m. de comprimento faremos 40 furos. Um vidro de sementes dá para 10 a 15 torinhas.
Após a semeadura, as torinhas devem ser levadas ao barracão onde são formadas pilhas como as da foto ao lado com um número variável entre 50 a 60 torinhas por pilha. Elas deverão ser molhadas duas vezes ao dia para permanecerem com a umidade necessária ao crescimento do micélio do shiitake por dentro da madeira.
Este cogumelo deve ficar neste local úmido por 6 meses.
Após 60 dias do plantio, devemos remanejar as pilhas, desmontando-as e empilhando com as de baixo em cima da pilha e vice-versa. Repetimos este procedimento a cada dois meses para que o micélio de uma torinha não se una ao da outra, o que provoca o rompimento da casca quando do manejo das pilhas.
Após os primeiros 60 dias da semeadura, observamos manchas esbranquiçadas nas pontas das torinhas. Isso é muito bom, pois indica que nossa semeadura foi um sucesso. Surgindo manchas de outra coloração, procurar um técnico para ter orientações.
Após os 6 meses, percebemos que a casca das torinhas está bem fofa, devido ao crescimento do micélio, isso indica que poderemos quebrar a dormência e iniciar a produção. Colocamos as torinhas imersas em água fria, pelo menos 5ºC inferior ao ambiente, onde permanecerão por 12 a 20 horas (uma noite em média). Após são retiradas e damos o choque com pancadas nas pontas e colocamos em pé num local sombreado e úmido.
As torinhas são colocadas em pé num ambiente úmido e sombreado, e após 3 a 4 dias começam a nascer os primeiros cogumelos. Nesta etapa da produção não deveremos molhar os cogumelos, pois danificará o produto irremediavelmente. Em média começamos a colher 7 dias após a quebra da dormência das torinhas.
Após a colheita toda, reempilhamos as torinhas que produziram e molhamos novamente por 35 a 40 dias, quando poderemos quebrar a dormência de novo e obter novas colheitas da mesma torinha.
O maior valor do produto depende da sua aparência e o "chapéu" deve estar voltado para baixo com no máximo 50% de abertura. Na foto ao lado vemos um cogumelo Shiitake com o chapéu abeto no ponto máximo, ainda preservando seu valor comercial; mais aberto que isso, perde totalmente seu valor no mercado.
A produção é variável entre 10 a 20% do peso inicial das torinhas. Como exemplo, uma torinha pesando 10 Kg no princípio, vai produzir em sua vida útil de 6 a 8 colheitas (uma a cada 40 dias) cerca de 1 a 2 Kg de cogumelos frescos para o mercado.
São comercializados frescos e em bandejas com 200 gramas, ou desidratados em pacotes com 50 gramas. É o segundo cogumelo mais consumido no mundo.